Ser embaixador

Publicado: 16 fevereiro 2018

Perfil JORN: Pedro André Esteves

Pedro André Esteves licenciou-se em Jornalismo porque “dizer aos outros o que eles ainda não sabem” era o seu sonho. Hoje, o jornalista da RTP acredita que a sua função é ser embaixador do público.

Pedro André Esteves é jornalista na RTP.
Fotografia: Gabcom (Serviço de Comunicação da ESCS)

Pedro André Esteves afirma ser “o mesmo miúdo” que chegou à ESCS, em 2011, “à procura do sonho” de comunicar. É “perfecionista” e dono de um “espírito crítico” que nem sempre lhe é “benéfico”. Mas “já é feitio, não é defeito” [risos]. Atualmente, é jornalista na RTP e é apaixonado pela sua profissão. Com os “pés assentes na terra”, procura não se “deslumbrar” com o mundo da televisão. “Não sou uma vedeta”.

“É isto que eu quero”

No Ensino Secundário, frequentou Ciências e Tecnologias. “São aquelas escolhas de que nos arrependemos”, assume. Hoje, admite que Línguas e Humanidades era a sua “praia”. A decisão dificultou o acesso ao Ensino Superior, até porque o exame nacional de Matemática “não correu necessariamente bem”. Por isso, acabou por ingressar em Audiovisual e Multimédia. Mas, dias depois, já na 2.ª Fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior, foi colocado no curso que almejava: Jornalismo. Mas porquê a ESCS? Para Pedro, a escolha foi “óbvia”, pois “o embrulho era muito bom”, na medida em que conjugava as componentes teórica e prática. Já na Escola, rapidamente chegou à conclusão: “é isto que eu quero”.

Na ESCS, Pedro André Esteves participou na ESCS FM e no E2.
Fotografia: Gabcom (Serviço de Comunicação da ESCS)

“Aprender a fazer”

“Não há nada melhor do que aprender a fazer”, afirma o escsiano sobre a sua participação nas atividades extracurriculares. “A ESCS FM e o E2 foram as grandes paixões”, revela. Mal chegou à Escola, Pedro inscreveu-se na rádio online e, ao fim de uma semana, ainda “com a voz a tremer imenso”, começou a fazer os noticiários. Mais tarde, participou num casting para o programa de televisão e foi selecionado. O ex-aluno foi apresentador da rubrica de entrevistas Panorâmica. “Foi um registo que adorei” e do qual “ainda hoje guardo saudade”, confidencia.

“Um feliz acaso”

Na reta final do curso, Pedro “não fazia a mais pálida ideia” de qual seria o seu futuro. Foi então que um colega lhe perguntou “Já viste o anúncio?”. “Qual anúncio?”, questionou. Tratava-se da divulgação do Gabest (Gabinete de Estágios e Integração na Vida Profissional) relativo a um casting para a Direção de Informação da RTP. Nesse mesmo dia, registou-se na Plataforma de Estágios e enviou o Curriculum Vitae, “sem grandes expetativas”. E eis que foi convocado para participar no casting. E lá foi. “Éramos 50”, recorda. Três dias depois, recebeu a notícia de que tinha sido um dos cinco escolhidos para estagiar na RTP.

Um “presente enorme”

Em setembro de 2014, integrou a redação da RTP. “Foi, até agora, uma das grandes escolas que tive”, afirma. Para o recém-licenciado, a oportunidade de estagiar na RTP foi encarada como “um presente enorme”. Foi “uma experiência única” que “agarrei com unhas e dentes”. Ao fim de 12 meses, o esforço valeu a pena. “Acabei por ficar”, conta, com satisfação.
Pedro sublinha que, se não fosse a experiência adquirida na ESCS FM e no E2, não estaria “tão à vontade” para ser “empurrado para as feras”, comenta, em tom de brincadeira.
No início, o trabalho era um “bocadinho esquizofrénico”, pois um jornalista tem de ser “polivalente”. Mas, com o tempo, assume que se foi dedicando à Política. “É aquilo de que mais gosto e que mais me motiva”. Entre as idas ao Parlamento para acompanhar sessões plenárias ou comissões parlamentares, Pedro conta que o seu trabalho é “uma azáfama”.

“Fui sem acreditar que aquilo, de facto, ia acontecer”

Foi ao fim de 15 dias que Pedro se estreou em direto, no Telejornal. “Ainda hoje, não sei bem como é que isso aconteceu”, revela, com humor. No final de um dia de trabalho, a subdiretora de informação entrou na redação com uma notícia de última hora: um incêndio num prédio na Avenida de Ceuta. “[Ela] virou-se para mim e disse Pões um pozinho na cara a vais para lá”, recorda. “Fiquei em estado de choque”. Quando chegou ao local, “a tremer por todos os lados”, ligou para a responsável, que lhe disse serenamente Respiras fundo, vão-te pôr um auricular e, daqui a um minuto, entras no ar. “De repente, só ouço do pivô a chamar pelo meu nome”. Hoje, o jornalista ainda não consegue definir a experiência. “É prazeroso”, acaba por referir, salientando o facto de não ter cedido à pressão.

Em 2016, Pedro foi nomeado na categoria Prémio Revelação na Informação, da quinta edição dos Prémios aTV, promovidos pelo site A Televisão. “[Ser] tão novo e já ter este bombom só me pode deixar feliz”, confidencia.
Fotografia: Gabcom (Serviço de Comunicação da ESCS)
2017 – Parte 1: O Festival Eurovisão da Canção foi “uma experiência inesquecível”

Pedro integrou a delegação portuguesa do Festival Eurovisão da Canção. O jornalista assume a sua “febre” pelo certame, por isso, o convite para ir a Kiev “foi uma espécie de passe da Disney para um miúdo de seis anos”, conta, com um brilhozinho nos olhos.
Quinze minutos depois da vitória de Portugal, conduziu uma emissão especial em direto. “Foi das coisas que mais me custou fazer”, confessa, uma vez que “estava tudo à flor da pele”. O jornalista procurou “manter a sobriedade”, pois encara o seu trabalho como “uma espécie de âncora”. Apesar da emoção, que admite não esconder, sublinha que “não se pode deixar envolver de uma maneira abusiva”. “Mas foi difícil não começar aos pulos a meio do direto, porque a vontade era essa” [risos]. Pedro admite que sentiu “o peso da responsabilidade”, pois, naquela “noite épica”, era “o embaixador de cada uma das pessoas que estava em Portugal a seguir atentamente o percurso do Salvador Sobral”.
Por tudo isto, assume que “a satisfação de estar a viver a história” tornou o Festival “a melhor experiência da sua vida”.

2017 – Parte 2: “A infelicidade com que se diz que o país está a arder”

No dia 15 de outubro, Pedro foi destacado para cobrir uma conferência de imprensa na sede da Autoridade Nacional da Proteção Civil. Ao mesmo tempo, contactava com os seus familiares que estavam em Castro Daire, uma zona fustigada pelos incêndios. Passei a noite em claro. A dar notícias, em Lisboa, enquanto sabia que a 300 km tinha familiares cercados pelas chamas. O pior já passou, depois de uma das piores noites da minha vida, desabafou, no dia seguinte, na sua página de Facebook. O jornalista refere que os incêndios foram o “extremo antagónico” do Festival. E acredita que, nestes casos, “não é possível separar o lado humano”. “Não somos máquinas a dar notícias”, acrescenta. Para Pedro, o “segredo” passa por “capitalizar [essa emoção] para que o trabalho seja mais bem feito”, para que as perguntas vão ao encontro das respostas que as pessoas em casa querem ouvir. Nesta entrevista, o escsiano volta a afirmar que, “para as coisas boas ou más”, a função do jornalista é ser “o representante” de quem vê as notícias. Em contraste com o Festival, “foi uma das noites em que mais me custou trabalhar”, pois “era a minha família que estava em perigo”, remata.

Se não fosse a ESCS…

Pedro afirma que, se não fosse a ESCS, “não tinha surgido uma coisa muito importante que é a paixão”. O escsiano destaca os professores com quem se cruzou na Escola, os quais revelaram “paixão por aquilo que fazem”. Relembra Daniela Santiago, que acabou por ser sua colega na RTP, e Francisco Sena Santos, “um dos meus mestres” e “um dos homens a quem mais devo o pouco que sei”. O ex-aluno sublinha que o docente lhe transmitiu “uma paixão por aquilo que fazia completamente exorbitante”.
Pedro não hesita a aconselhar em ESCS a um candidato ao Ensino Superior. Porquê? “Porque é possível”, responde, defendendo que “não podemos ser derrotistas” perante o discurso de que “o mercado de trabalho está saturado”. O jornalista acredita que “quando gostamos, damos um cunho diferente às coisas”. Mas gostar não chega, avisa. “É preciso trabalhar muito”.
“Esta Escola abriu-me portas para um grande futuro”, concluiu Pedro esta entrevista, da melhor forma possível.

“Se não fosse a ESCS, não havia paixão”, afirma Pedro.
Fotografia: Gabcom (Serviço de Comunicação da ESCS)

Por fim, desafiámos Pedro André Esteves a responder a uma espécie de Questionário de Proust:

Um objeto essencial para o teu dia-a-dia.
O telemóvel.

Reportagem ou direto.
Direto.

Redação ou exterior.
Exterior.

Papel ou digital.
Papel.

Uma música ou uma banda.
The Smiths.

Um filme ou um realizador.
Lost in Translations (2003), de Sofia Coppola.

Um livro ou um escritor.
O Principezinho, de Antoine de Saint-Exupéry.

Uma série.
House of Cards.

Um programa de televisão.
Telejornal. [risos]

Quando for grande, quero ser…
Maior, mais grande. [risos]


Conheça aqui mais histórias de perfis de Jornalismo.