Os desafios do ensino à distância

Publicado: 27 abril 2021

A sexta edição das Jornadas Pedagógicas da ESCS procurou refletir sobre o processo de Ensino-Aprendizagem, no âmbito do atual contexto pandémico.

O dia 21 de abril de 2021 ficou marcado pela 6.ª edição das Jornadas Pedagógicas da ESCS. Na sessão, que decorreu através da plataforma online Zoom, foram apresentados os principais resultados do Relatório do Sistema Interno de Garantia da Qualidade (SIGQ), referente ao ano letivo 2019/2020, nomeadamente, no que concerne à temática do Ensino-Aprendizagem. Os dados focaram-se, sobretudo, nas dimensões que dizem respeito à forma como a Escola se adaptou ao regime de ensino à distância imposto pelo contexto pandémico. Esta introdução deu o mote ao debate que se seguiu, moderado pelo Prof. Francisco Sena Santos, tendo contado com a participação de docentes, investigadores e da Presidente da Associação de Estudantes da ESCS, em representação dos estudantes.

O Presidente da ESCS, Prof. Doutor André Sendin, abriu a sessão, agradecendo a disponibilidade dos intervenientes e assegurando que estavam “reunidas as condições para uma conversa muito agradável”.

A 6.ª edição das Jornadas Pedagógicas da ESCS procurou refletir sobre o ensino à distância.

Apresentação dos Resultados do SIGQ da ESCS (2019-2020)

Coube à Prof.ª Doutora Sandra Miranda a apresentação dos resultados do Relatório do SIGQ da ESCS (2019/2020), no que toca sobretudo, às perceções dos estudantes e dos docentes. A Vice-Presidente da Escola relevou que, no decorrer da pandemia e durante o primeiro estado de emergência (que obrigou ao confinamento e à adaptação a um regime de ensino à distância), critérios como as condições de lecionação, o domínio das ferramentas usadas e a relação docente/estudante foram avaliados de forma muito positiva. A utilização dos softwares pelos alunos obteve, também, uma ponderação alta, resultado do investimento da Escola para disponibilizar as respetivas licenças, de modo a tornar possível a aprendizagem a partir de casa. Importa referir que, pela primeira vez, o Relatório do SIGQ teve em conta a avaliação feita pelos alunos a estudar na ESCS ao abrigo de programas de mobilidade. Em 2019/2020, os estudantes incoming também atribuíram uma avaliação positiva às questões relacionadas com o ensino à distância.
Quanto aos docentes, o equilíbrio trabalho/família e o aumento das horas de trabalho foram aspetos que saltaram à vista. Para tal, contribuíram a necessidade de reorganizar o espaço em casa, de acordo com as novas dinâmicas, e a reformulação das aulas e dos modelos de avaliação.

Debate: encurtar a distância

O Prof. Francisco Sena Santos moderou o debate que procurou “discutir o que aprendemos sobre ensinar e aprender nestes [últimos] meses”. O docente começou por se dirigir a Ana Carolina Martins, questionando-a acerca dos aspetos em que “devemos ousar”, tendo em conta a experiência adquirida. A Presidente da AE ESCS partilhou que os estudantes encaram o ensino à distância com alguma preocupação, na medida em que têm receio de que a preparação para o mercado de trabalho seja afetada, devido ao caráter prático dos cursos.

Renato Abreu, Pró-Presidente do IPL para a área do Ensino à Distância, considerou que existe um “desfasamento tecnológico entre as instituições de ensino e os alunos”, no sentido em que, geralmente, os estudantes têm acesso a softwares mais avançados do que aqueles que as instituições oferecem. Contudo, referiu que “a ESCS não terá sentido tanto esse problema”, visto estar bem equipada em termos tecnológicos. Por sua vez, para Marco Bento, o contexto pandémico representa uma oportunidade para “repensar a escola”, em termos de inovação pedagógica, sendo que “o melhor desenho é a combinação de vários modelos”. O docente e investigador esclareceu que a pandemia colocou o foco na tecnologia e que “o caminho” deverá passar por “pensar a intencionalidade pedagógica e não tecnológica”. José António Moreira, investigador na área da Educação, suportou a ideia do colega, defendendo que o paradigma do ensino deve ser “repensado”, de forma a criar uma “educação plural”, na qual “o caráter expositivo tem de ter o seu espaço”. “A tecnologia serve a pedagogia e não o contrário”, enfatizou.

Por último, Teresa Pombo definiu três aspetos fundamentais para repensar a educação: a plataforma e o suporte de interação, a manutenção do desejo de aprender e a relação pedagógica. A professora de Português no Ensino Básico e formadora de docentes defendeu que se a “relação pedagógica” existir no modelo presencial, manter-se-á noutros moldes, considerando, por isso, ser “possível construir uma comunidade no ensino à distância”.

No final de mais de uma hora de conversa, que contou com a participação de uma audiência interessada, ficou a ideia de que são necessários mais debates em torno da temática do ensino à distância, como forma de partilhar conhecimento e ajudar na construção de modelos pedagógicos motivadores.