Meet The Pro com José Sena Goulão

Publicado: 26 março 2021

O fotojornalista José Sena Goulão, da agência Lusa, foi o convidado da terceira edição do Meet The Pro.

A terceira edição do Meet The Pro, uma iniciativa organizada pela Canon Portugal e pela ESCS, no âmbito do programa educacional Canon Creative Plan, decorreu, no passado dia 24 de março, via plataforma online Zoom. José Sena Goulão, fotojornalista da agência Lusa, foi o convidado da sessão, apresentado o seu percurso profissional e esclarecendo as dúvidas dos participantes.

Aproximação ao mercado de trabalho

O pontapé de saída da sessão foi dado por elementos da ESCS e da Canon Portugal, que deram as boas-vindas aos participantes. Em representação da Direção, a Prof.ª Dr.ª Alexandra David, vice-presidente da ESCS, destacou o valor que a Escola dá a iniciativas que aproximam os estudantes à realidade do mercado de trabalho. Para tal, “é fundamental ouvir o testemunho dos profissionais”, afirmou. De seguida, André Ferreira, em representação da Canon Portugal, referiu que as marcas devem “adicionar valor às dinâmicas pedagógicas”, de que são exemplo as iniciativas do Canon Creative Plan. Por fim, o Prof. Doutor Rúben Neves, dinamizador da parceria entre as entidades, introduziu o orador convidado, destacando-o como um dos principais fotógrafos portugueses e uma referência a nível nacional e internacional. “É um profissional preocupado com a sociedade e ativo nessa matéria”, referiu.

A realidade de um Fotojornalista

José Sena Goulão é fotojornalista na agência Lusa.
Fotografia gentilmente cedida por José Sena Goulão

José Sena Goulão começou o seu percurso na Fotografia, em 2005. Entusiasta da área, foi no decorrer de uma viagem com um amigo que aprendeu as bases da técnica fotográfica. Decidiu, então, investir num curso, durante o qual procurou ser parceiro das duas maiores produtoras de espetáculos portuguesas, de forma a conseguir construir um portefólio na vertente de que mais gostava: espetáculo. Em 2007, estagiou na Lusa, onde, mais tarde, acabaria por trabalhar.

Em tempos de pandemia, o fotógrafo lembrou que os jornalistas foram dos poucos profissionais que “andaram o tempo todo na rua, a mostrar o que se passava”, desde o aparecimento das máscaras, aos serviços que fecharam, passando pela nova realidade da sociedade. “Os primeiros meses foram muito intensos”, confessou. Pegando no exemplo do futebol, aproveitou para explicar de que forma é, hoje, condicionado pelas restrições impostas. “Fotografávamos ombro com ombro e, agora, não podemos mudar a posição o jogo todo. O trabalho sofre muito com essas limitações”, explicou.

A fotografia do homem que subiu a Avenida da Liberdade sozinho, nas comemorações do 25 de Abril, em 2020, é uma das mais icónicas da carreira de José Sena Goulão.
Fotografia de José Sena Goulão

Goulão procurou explicar a realidade profissional da agência noticiosa, caracterizada pela “rapidez e informação pura e dura (…) a notícia sai ao segundo e há muitos clientes a depender dela”. O fotógrafo mostrou algumas imagens do seu portefólio, que contemplam áreas tão abrangentes como o desporto, a política, manifestações ou entrevistas, entre outras. “A coisa mais transversal no meu trabalho são as reações e expressões humanas”, afirmou. Embora considere que há “trabalhos que podem não ser os mais excitantes”, devido à repetição dos temas, referiu que também tem bombons que são os seus “balões de oxigénio, ao longo do ano”, lembrando a missão de resgate de migrantes no Mediterrâneo, que fez com a Marinha Portuguesa e que lhe valeu um prémio internacional. Falou, também, sobre a fotografia icónica do homem que subiu a Avenida da Liberdade sozinho, com a bandeira de Portugal às costas, durante as comemorações do 25 de Abril, em 2020, no decorrer do primeiro confinamento, como um marco na sua carreira. “Quando estávamos prestes a ir embora, começámos a ver aquele senhor a subir a avenida (…) Fui atrás dele até conseguir a imagem que tinha na cabeça”, lembra. Apesar de haver outros fotógrafos no local, a imagem de José Sena Goulão distinguiu-se pela sua singularidade, sendo amplamente difundida pelos órgãos de comunicação social. “Foi um reconhecimento enorme”, garante. Para além das fotografias que capta no âmbito da sua profissão, o fotógrafo mostrou, ainda, alguns trabalhos que faz a nível pessoal, como foi o caso da cobertura de uma emissão especial da rubrica viral “Como é que o bicho mexe”, do humorista Bruno Nogueira, no Instagram, e a fotografia de surf.