Abrir horizontes

Publicado: 06 julho 2018

PERFIL RPCE: MARGARIDA GAMEIRO

Margarida Gameiro, licenciada em Relações Públicas e Comunicação Empresarial, é a porta-voz da momondo para o mercado português.

Após a licenciatura em Relações Públicas e Comunicação Empresarial (RPCE), Margarida Gameiro passou por várias agências de comunicação de renome. Em março deste ano, surgiu a oportunidade de se mudar para Copenhaga, onde abraçou o seu maior desafio profissional, como porta-voz da momondo para o mercado português.

Margarida Gameiro é licenciada em RPCE e trabalha como porta-voz da momondo para o mercado português, em Copenhaga.

A realidade do mercado de trabalho

Margarida deu início à sua jornada na ESCS em 2007. Quando terminou o Ensino Secundário, queria ser professora. No entanto, dada a conjuntura do mercado, decidiu procurar opções que “abrissem mais portas em termos profissionais”. No decorrer das suas pesquisas, deparou-se com o curso de RPCE e concorreu. Apesar de não ter sido a sua primeira opção, a escsiana confessa que foi “um feliz acaso” ter entrado na Escola.

Durante a licenciatura, a escsiana foi membro da APERPEC.

Durante a licenciatura, a antiga estudante fez parte da APERPEC (Associação Portuguesa de Estudantes de Relações Públicas e Comunicação), uma iniciativa da PRIME (Associação Europeia de Estudantes de Relações Públicas e Comunicação), que teve como sede nacional a ESCS. Margarida conta que, no projeto, os estudantes faziam “um pouco de tudo”, desde angariar patrocinadores, a “definir conteúdos para partilhar”, passando pelo contacto com parceiros.

Da experiência, a escsiana retirou algumas mais-valias. “Melhoramos muito a nossa capacidade de trabalho em equipa, aprendemos a trabalhar com diferentes entidades e a respeitar protocolos, a trabalhar num contexto internacional, com a participação nos eventos da PRIME, e melhoramos a nossa capacidade de organização”, enumera. Margarida defende que as atividades extracurriculares preparam os estudantes para “a realidade laboral”.

Conciliar a escola com um emprego

No início do 4.º semestre, Margarida deixou de colaborar com a APERPEC, a fim de dar início ao seu percurso profissional, como Public Relations Assistant, na Rudolph Arié. A escsiana confessa que, devido ao elevado grau de exigência do curso de RPCE, conciliar a licenciatura com um emprego foi “um desafio tremendo”. No entanto, revela que cedo percebeu que o curso dá aos estudantes uma “preparação única para o que [vão] encontrar, enquanto profissionais de Comunicação”.

Atualmente, com uma carreira de quase dez anos, a antiga estudante não tem “qualquer dúvida de que voltaria a ingressar no curso”.

Percurso profissional e os efeitos da crise económica

Margarida explica que sentiu os efeitos da crise económica, que começou em 2010, no seu percurso profissional, tendo em conta os cortes ao nível dos recursos humanos por parte das empresas. “Abundavam cada vez mais estágios curriculares não-remunerados, uma situação que, a médio/longo-prazo, não era sustentável”, reflete.

Antes de viajar para Copenhaga, Margarida colaborou com agências de comunicação de renome.

Contudo, considera-se uma “afortunada”, por ter tido a “oportunidade de trabalhar com equipas extraordinárias, tanto ao nível da competência profissional como na vertente humana”. Até ao momento, Margarida já colaborou com agências de comunicação reconhecidas a nível nacional e internacional, como a YoungNetwork, a Ogilvy PR ou a Hill+Knowlton Strategies. A certa altura, enveredou, também, pela área do Marketing Digital, “que veio a completar muitíssimo os [seus] conhecimentos”.

Dada a concorrência neste setor, a escsiana considera ser necessária “muita persistência”, para vingar no mercado de trabalho. “No final do dia, temos de continuar a lutar, a superarmo-nos a nós mesmos [e a] acreditarmos que podemos ser mais e melhores”, defende.

Viver em Copenhaga

Trabalhar no estrangeiro era um objetivo da escsiana.

Antes de se mudar para Copenhaga, Margarida já tinha colaborado com a momondo, como consultora, na agência de comunicação com a qual a empresa trabalha em Portugal. Por isso, quando viu que estavam a recrutar, decidiu arriscar e enviar o seu currículo.

Como porta-voz da marca para o mercado português, o seu dia-a-dia “passa por gerir diversas atividades de marketing nos canais online e offline”. A escsiana explica que “todos os dias são diferentes, sendo que não há margem para rotinas se instalarem”, o que a faz querer aprender cada vez mais.

Ao concorrer, a antiga estudante já sabia que teria de mudar de país, caso conseguisse a vaga. “Trabalhar no estrangeiro era um objetivo que eu tinha há já alguns anos, porque sempre quis experimentar outras realidades e abrir os meus horizontes em termos profissionais”, esclarece. Hoje, sabe que tomou “a decisão certa”. Para tal, contribuíram, também, fatores como a cultura da cidade, que facilitou a adaptação.

Um marco na vida

“A ESCS foi um marco na minha vida”, confessa Margarida.

Olhando para a sua passagem pela ESCS, Margarida considera que os estudantes de RPCE “vivem o curso e a Escola” com uma intensidade diferente dos de outros cursos, o que fez com que esses anos fossem vividos com “muita ansiedade”. No entanto, agora, percebe que foi esse fator que a tornou numa “pessoa mais ponderada e segura” de si mesma, “tanto a nível profissional como pessoal”.

Para além da licenciatura, destaca, ainda, a oportunidade de ter conhecido “algumas das melhores pessoas que, hoje, tenho a honra de poder chamar amigos” e que são, também, “profissionais incríveis das mais diversas áreas da Comunicação e do Marketing, de valores e sentido de ética inabaláveis”.

A escsiana explica que a Escola e, em particular, o curso de RPCE, oferecem aos estudantes as ferramentas necessárias para que entrem no mercado de trabalho “com uma melhor noção” do que vão encontrar e do que podem “ser enquanto profissionais completos de Comunicação”. “Um recém-licenciado (…) mete as mãos nas tarefas que forem necessárias e é capaz de compreender a importância do seu trabalho para os resultados financeiros e de negócio da empresa que integra”, conclui.

Por fim, desafiámos Margarida Gameiro a responder a uma espécie de Questionário de Proust:

Um objeto essencial para o teu dia-a-dia.
Os dois telemóveis (português e dinamarquês).

Uma cidade ou um país.
Lisboa e Portugal, sempre!

Uma música ou uma banda.
U2 (Em setembro, lá estarei, no Altice Arena, para os ver pela segunda vez.)

Um filme ou um realizador.
Cinema Paraíso, de Giuseppe Tornantore.

Um livro ou um escritor.
As Farpas, de Eça de Queirós e Ramalho Ortigão.

Uma série.
O Mecanismo.

Um programa de televisão.
Todos os noticiários.

Uma referência na área das RP.
Tenho várias, todas elas profissionais portugueses com os quais tive o prazer e a honra de trabalhar, pelo que seria injusto nomear apenas uma.

Quando for grande, quero ser…
Melhor do que hoje, tratando todos aqueles com quem me cruzo com o respeito e a consideração que merecem.

* Fotografias gentilmente cedidas por Margarida Gameiro.