Publicado: 20.10.2026
Onde começa a tolerância e onde devem estar os seus limites? Que preconceitos continuam a condicionar a forma como olhamos para os outros? E pode a comunicação contribuir para mudar esta realidade?
Estas foram algumas das questões que marcaram o Seminário Aberto "(In)tolerável: muda a história", realizado no passado dia 13 de outubro de 2026, na Escola Superior de Comunicação Social (ESCS), no âmbito da unidade curricular de Branding & Storytelling da Licenciatura em Publicidade e Marketing.
A iniciativa, de carácter académico e científico, reuniu estudantes, docentes e especialistas numa jornada dedicada à reflexão sobre o preconceito, a inclusão, os limites da tolerância e o papel da comunicação na construção de uma sociedade mais justa e consciente.
A primeira parte do seminário decorreu entre as 8h00 e as 11h00, na sala 1P4, e contou com a participação de João Garrido, especialista em estratégia de marcas e comunicação, brand storyteller e autor de ficção, cujo percurso profissional se distingue também pelo envolvimento em iniciativas de intervenção social.
Após a sessão de abertura, conduzida por Helena Figueiredo Pina, docente responsável pela unidade curricular e coordenadora do seminário, teve lugar a conversa com o convidado, subordinada ao tema "Histórias que mudam histórias: marcas, comunicação e tolerância".
O encontro começou com um convite à reflexão, inspirado numa conhecida frase atribuída à antropóloga Margaret Mead: "Nunca duvidem que um pequeno grupo de cidadãos conscientes e comprometidos possa mudar o mundo. Na verdade, sempre foi a única coisa que o mudou." Esta ideia, igualmente evocada por Rutger Bregman na obra Moral Ambition (2025), serviu de ponto de partida para discutir o conceito de idealismo pragmático e a possibilidade de transformar convicções e preocupações sociais em ações concretas.
Ao longo da sessão, João Garrido partilhou experiências, exemplos e reflexões que estimularam a participação dos estudantes e o debate sobre o significado da tolerância na sociedade contemporânea. O que consideramos tolerável? Até onde deve ir a tolerância? E de que forma as nossas experiências, valores e preconceitos influenciam os julgamentos que fazemos sobre os outros?
Estas questões estiveram também no centro do debate aberto "O que é (in)tolerável?", moderado por Helena Figueiredo Pina, que proporcionou um espaço de diálogo e confronto de perspetivas entre o convidado e os participantes.
A discussão estendeu-se ao papel da criatividade e do storytelling na transformação de perceções e atitudes. Num dos momentos mais participativos, João Garrido desafiou os estudantes a construir histórias a partir de um conjunto de objetos, demonstrando como elementos aparentemente comuns podem adquirir novos significados através da narrativa e do sentido que lhes é atribuído.
A manhã ficou ainda marcada pelo lançamento do Projeto de Equipa de Branding & Storytelling "Tolerância: muda a história", apresentado por João Garrido e Helena Figueiredo Pina. Partindo deste desafio criativo, os estudantes foram convidados a explorar o potencial da comunicação com propósito, refletindo sobre a responsabilidade social das marcas e dos profissionais de comunicação na desconstrução de preconceitos e na promoção de uma sociedade mais inclusiva.
Da reflexão à investigação: ouvir para compreender
Entre as 11h00 e as 12h30, a iniciativa prosseguiu com a realização de breves reuniões exploratórias, de participação facultativa, com estudantes interessados em aprofundar algumas das questões levantadas durante o seminário.
Num ambiente de diálogo e partilha, os participantes tiveram oportunidade de expressar opiniões e experiências sobre a tolerância, os preconceitos e os seus limites. Esta abordagem colaborativa permitiu identificar diferentes perspetivas e reunir contributos relevantes para a conceção de um futuro projeto de investigação, estabelecendo uma ligação entre a reflexão desenvolvida durante o seminário e o aprofundamento científico da temática.
Durante a tarde, a Comissão Técnico-Científica do seminário, constituída por Helena Figueiredo Pina, Cláudia Silvestre, Susana Araújo e João Garrido, reuniu-se para analisar e discutir os principais contributos da jornada, numa sessão de balanço que se prolongou até ao final do dia.
Mais do que um espaço de debate, o seminário "(In)tolerável: muda a história" procurou demonstrar que a comunicação não se limita a transmitir mensagens: participa na construção de significados, influencia perceções e pode contribuir para questionar ideias e comportamentos socialmente enraizados.
Ao aproximar a reflexão académica, a experiência profissional, a investigação e a experimentação criativa, esta iniciativa reforçou o compromisso da ESCS com uma formação que valoriza não apenas as competências técnicas e estratégicas dos futuros profissionais de Publicidade e Marketing, mas também a sua consciência crítica e responsabilidade social.
Porque mudar a história exige desafiar os preconceitos que moldam o nosso olhar, repensar o significado da tolerância e ter a coragem de questionar aquilo que aprendemos a considerar tolerável.
