Comunicar (com) Liberdade & Responsabilidade

A Escola Superior de Comunicação Social (ESCS), a DECO (Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor) e a Plataforma Portuguesa das ONGD convidam:

Media Talks: Comunicar (com) Liberdade & Responsabilidade
Data: 2 de maio
Hora: 14h às 19h
Local: Escola Superior de Comunicação Social


Inscrições

A participação é gratuita, mas limitada aos lugares existentes.

Os interessados deverão inscrever-se, aqui.


PROGRAMA

14h — Receção dos participantes (corredor junto à sala 2P9)

14h15 — Abertura das Media Talks (sala 2P9)

14h45 às 15h45 — 1.º Round de Workshops

Workshop 1: Sociedade Civil e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (sala 2P5)
Workshop 2: Liberdade de Informação e Liberdade de Expressão (sala 2P6)

15h45 às 16h — Pausa Justa (sala 2P1)

16h às 17h — 2.º Round de Workshops

Workshop 3: Consumo (jovem) responsável (sala 2P5)
Workshop 4: Literacia Mediática (sala 2P6)

17h às 17h30 — Apresentação e Discussão das Conclusões dos Workshops (sala 2P9)

17h430 às 18h — Pausa Justa (sala 2P1)

18h às 19h — Conferência (sala 2P9)
“A verdade dos factos na era da pós-verdade”, pelo Prof. Doutor Diogo Pires Aurélio


Enquadramento das Media Talks:

No âmbito da iniciativa 7 Dias com os Media, promovida pela Comissão Nacional da UNESCO, os cursos de Relações Públicas e de Jornalismo, da Escola Superior de Comunicação Social, associam-se à DECO, à Agenda 2020 e à Plataforma Portuguesa das ONGD para promoverem a reflexão sobre a liberdade de expressão, a liberdade de informação e a promoção de uma utilização responsável dos meios e dispositivos que temos, hoje, à nossa disposição, para comunicar.

Recordemo-nos que a liberdade de expressão é um direito humano inalienável e estabelecido pelo artigo 19.º da Declaração Universal dos Direitos Humanos e que só a liberdade de informação permite garantir ao público a possibilidade de fazer escolhas esclarecidas e tomadas de decisão autónomas, que visem a prossecução da paz e do desenvolvimento sustentável.

Num momento em que expressões como “fake news” ou “post-truth” invadem o nosso quotidiano, urge discutir com os jornalistas e profissionais de comunicação mais jovens, bem como com os estudantes dos diversos cursos que hoje podemos acolher sob a designação de “Jornalismo” ou “Comunicação Organizacional”, como garantir o acesso informado e responsável à informação.

Por fim, esta iniciativa permitirá conhecer as motivações das novas gerações de comunicadores, através da aproximação das organizações da sociedade civil aos interesses daqueles que começam hoje a construir o mundo da informação e a comunicação do futuro.


Apresentação dos Workshops:

Workhop 1: Sociedade Civil e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Há muito que se sabe que o Desenvolvimento é um processo complexo e um desafio multidimensional, com interligações entre as diversas variáveis económicas, sociais e ambientais. Há muito que se diz que o crescimento económico não resulta necessariamente num desenvolvimento inclusivo, ou que o desenvolvimento não poderá ser sustentável sem a preservação e defesa ambiental do planeta em que vivemos, nem sem assegurar a satisfação de direitos sociais básicos das populações. No entanto, só em 2015 foi possível conceber uma agenda global com 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), aprovados ao mais alto nível político e que integram estas três dimensões numa visão comum e universalmente partilhada do que queremos para a humanidade nos próximos anos.

O conceito de Sociedade Civil é complexo e pode ser utilizado de forma mais ou menos alargada. No contexto desta reflexão, entendemos que a “Sociedade Civil” abarca todos os diferentes tipos de organizações que não têm fins lucrativos e que, não pertencendo ao setor público e setor privado, fazem parte do que se denomina normalmente de Terceiro Setor. A vitalidade e relevância das Organizações da Sociedade Civil (OSC) é uma das marcas que identificam democracias saudáveis e consolidadas, funcionando como elemento de equilíbrio de poderes públicos e privados e como instrumentos de exercício de uma cidadania responsável, informada e participativa.

Deste modo, considerando a complexidade de implementação dos 17 ODS e a importância que as OSC assumem na promoção de um modelo de desenvolvimento verdadeiramente sustentável, é clara a multiplicidade de papéis que a Sociedade Civil assume no âmbito da implementação dos ODS. Desde logo, apresentando uma visão crítica sobre estes Objetivos globais, sublinhando a sua relevância, mas mostrando também as suas contradições e omissões.

Para a Sociedade Civil é, pois, absolutamente necessário que a interligação das três dimensões do desenvolvimento sustentável resulte numa complementaridade real entre as intervenções de governos (centrais e locais), OSC e empresas. Esse é dos maiores desafios, mas também uma das maiores potencialidades dos ODS. E é fácil também perceber a importância que media, jornalistas e comunicadores terão nesta missão global que a todos nos envolve e implica.

Workhop 2: Liberdade de Informação e Liberdade de Expressão

25 anos depois de a Assembleia Geral da ONU ter instituído um dia Mundial da Liberdade de Imprensa, celebrado a 3 de maio, muito mudou no jornalismo. As redações modernizaram-se, os jornais impressos vão migrando para o online, o público tornou-se ator do processo noticioso. Cada vez mais escrutinado, o jornalismo continua a ser um palco privilegiado de disputa pela liberdade de expressão no quadro da liberdade de imprensa.

A partir do manuseamento, análise e discussão de um conjunto de dados sobre as condições de exercício da profissão e de trabalhos jornalísticos diversos, pretende-se que cada um dos participantes construa o seu próprio quadro mental sobre a responsabilidade social dos media e o papel do jornalismo na preservação dos valores da democracia.
Que temas dominam a noticiabilidade diária? Quem decide o que é notícia, hoje? Com que constrangimentos operam os jornalistas no terreno? Até que ponto as redes sociais e os espaços de comentário ampliam a liberdade de expressão? Há limites desejáveis ou aceitáveis à liberdade de informação? Estas e outras questões servirão de contexto às atividades desenvolvidas durante o workshop.

Promover-se-á, ainda, a discussão sobre o conceito de liberdade de expressão, questionando os seus limites no quadro da defesa do interesse comum.

Workhop 3: Consumo (jovem) responsável

Quando em 1962, o presidente norte-americano John Kennedy proferiu a célebre frase CONSUMIDORES SOMOS TODOS NÓS, certamente, não previa o extraordinário desenvolvimento mundial da causa da defesa do consumidor.

Todos somos consumidores! Todos temos direito à informação para que possamos efetuar escolhas livres, seguras e adequadas às nossas expetativas. Todos precisamos de formação, educação para viver num mundo melhor, mais sustentável! Todos devemos adotar comportamentos de consumo conscientes, efetuar escolhas mais responsáveis, reduzir os consumos e usar os recursos de forma eficiente.

Acreditamos que as novas gerações são mais sensíveis aos desafios ambientais emergentes como as alterações climáticas, a sobre-exploração dos recursos, mas enquanto consumidores precisam ter maior consciência do impacte coletivo e ambiental dos seus atos individuais de consumo.
Os consumidores podem e devem consumir melhor e consumir menos, tendo em consideração os impactes ambientais, sociais e económicos das empresas e dos seus produtos. O consumo sustentável é basicamente um conjunto de práticas relacionadas com a aquisição de produtos e serviços que visam diminuir ou até mesmo eliminar os impactes no ambiente.

Foi também Kennedy, e ainda nesse discurso, realizado a 15 de março, hoje celebrado mundialmente como o DIA DOS DIREITOS DO CONSUMIDOR, quem, sem rodeios ou pudores, proclamou outra grande verdade da sociedade de consumo: os consumidores são o único grupo importante na economia que não é efetivamente organizado, cujas opiniões muitas vezes não são ouvidas.

Todos temos o DEVER de nos associarmos, de agirmos, de sermos o “único grupo importante na economia” que faz ouvir a sua voz e que faz toda a diferença! SOMOS O QUE FAZEMOS!

Workhop 4: Literacia Mediática

A literacia mediática fortalece a capacidade das pessoas de usufruírem dos seus direitos humanos fundamentais, em especial os expressos no artigo 19.º da Declaração Universal dos Direitos Humanos: “Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão.” Agora, se há mais de já 40 anos que os processos da literacia mediática fazem parte da agenda de políticos, investigadores e profissionais da comunicação e da educação, é inegável que nos últimos 25 anos a esfera mediática sofreu um processo acelerado de mutação e que, nos últimos tempos, as questões das competências críticas das mensagens mediáticas se tornaram centrais para a vida dos cidadãos.

Este workshop sobre literacias mediáticas sublinha a forma como os meios de comunicação de hoje estão a condicionar a relação dos cidadãos com o mundo e, ao mesmo tempo, a ampliar o papel que o cidadão responsável tem na democracia. Se a literacia mediática propõe dotar os sujeitos de conhecimentos e ferramentas que lhes permitam funcionar como cidadãos autónomos e capazes de realizar um consumo crítico dos meios de comunicação social, ela torna-se uma competência fundamental, na medida em que evita a autonomização da receção do discurso mediático e ativa uma interpretação crítica do mesmo, tornando-se um antídoto que neutraliza ou evita possíveis efeitos negativos de estratégias preconceituosas.


Organização:
• DECO (Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor)
• Escola Superior de Comunicação Social – Politécnico de Lisboa
• Plataforma Portuguesa das ONGD