Género, Comunicação e Media: que desafios?

Género, Comunicação e Media: que desafios? – Seminários formativos para profissionais e estudantes de Comunicação

Data: 9 e 11 de dezembro de 2020
As sessões decorrerão através da plataforma online Zoom.

Destinatários: Esta ação de formação é dirigida a profissionais de comunicação (jornalistas, publicitários, marketeers, assessores de imprensa, profissionais de comunicação organizacional e estratégica, etc.), dirigentes de organizações não-governamentais nas áreas da cidadania e igualdade de género, investigadores/ras e estudantes de comunicação e media.


Inscrições
A participação é gratuita, mas a inscrição é obrigatória.
Para tal, as/os interessadas/os deverão preencher o formulário de inscrição, até ao dia 30 de novembro.

NOTA: Informamos que as vagas para os workshops 1 — “A comunicação organizacional sensível ao género” e 2 — “Desmontando os estereótipos de género na publicidade” já se encontram preenchidas.


PROGRAMA

9 DE DEZEMBRO

15h30 às 15h45 — Sessão de Abertura
Sandra Ribeiro (Presidente da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género)
André Sendin (Presidente da ESCS-IPL)

15h45 às 17h45 — Enquadramento histórico, sociológico e político-legal do género
Filipa Subtil (ESCS-IPL e ICNova)
A construção social do género; A igualdade e a situação das mulheres em Portugal; Legislação e compromissos internacionais e nacionais; A perspetiva do género aplicada à comunicação.

18h às 19h30 — Violência de género e comunicação
Elisabete Brasil (jurista e ativista, FEM – Feministas Em Movimento)
A violência de género como expressão das assimetrias de poder entre mulheres e homens; A violência contra as mulheres; A violência doméstica como exemplo da violência de género; A notícia do homicídio em contexto das relações de intimidade.

11 DE DEZEMBRO

15h30 às 17h — Perspetivas de género nas notícias
Sofia Branco (jornalista da Lusa e Presidente do Sindicato dos Jornalistas)
Quem faz e quem aparece nas notícias?; Feminização do jornalismo e desigualdade no acesso aos cargos de chefia; Responsabilidade do jornalismo na (des)construção do género; O papel dos públicos.

17h15 às 19h15 — Workshops
(Cada participante deverá inscrever-se em apenas um dos workshops. A fim de se realizar, um workshop deverá contar um mínimo de 6 e um máximo de 16 participantes.)


Informações sobre os workshops

Workshop 1 — “A comunicação organizacional sensível ao género” (VAGAS PREENCHIDAS)
Formadora: Sandra Pereira (ESCS-IPL)
Destinatários: Todas/os as/os interessados/as em tornar a comunicação mais inclusiva, desde jornalistas, profissionais na área da comunicação (Relações Públicas, Marketing e Publicidade), técnicos e especialistas em instituições na área da defesa da igualdade de género, estudantes.
Resumo: A comunicação humana está repleta de subtilezas que refletem uma tendência linguística mais centrada no masculino, acabando em certa medida por promover/potenciar uma segregação de géneros. Esta realidade ajuda a perpetuar desigualdades de condição e de participação quer em questões sociais, quer laborais e até mesmo familiares. Ao reconhecer que as nossas escolhas de linguagem e comunicação têm consequências na forma como as pessoas se relacionam, é importante assumir uma perspetiva transformadora, evitando estereótipos e imprecisões comuns quando se criam ou desenvolvem suportes de comunicação audiovisual e escrita, seja em artigos, relatórios de empresa, posts em redes sociais e outros conteúdos. Este workshop procura promover uma consciencialização de género, através da análise, pensamento crítico e sensibilidade em torno de procedimentos e ferramentas para garantir uma comunicação equilibrada e sensível ao género. Consequentemente, serão destacadas orientações para combater o viés da comunicação e garantir um ambiente equitativo para todos.

Workshop 2 — “Desmontando os estereótipos de género na publicidade” (VAGAS PREENCHIDAS)
Formadores: Jorge Veríssimo (ESCS-IPL) e Carla Medeiros (ESCS-IPL)
Destinatários: Todas/os as/os interessadas/os em tornar a comunicação publicitária mais inclusiva, desde profissionais na área do Marketing e Publicidade, técnicos e especialistas em instituições na área da defesa da igualdade de género, estudantes.
Resumo: Como todos os processos sociais, a publicidade tem vindo a sofrer mutações, quer ao nível dos seus métodos de trabalho, quer dos procedimentos persuasivos. Sabemos que hoje a influência da publicidade ultrapassou uma das premissas que a sustentou ao longo dos anos: a função de persuadir o consumidor a adquirir o produto publicitado. Constatamos que a publicidade tem efeitos sociais ao nível, por exemplo, da padronização de comportamentos e na formação de atitudes face a ideais em nada relacionados com o ato de compra, isto é, a publicidade possui uma finalidade comunicativa e persuasiva que ultrapassa, por diversas vezes, os fins e os alvos para que foi concebida.
Enquanto processo persuasivo a publicidade recorre, nas suas encenações, a personagens, modelos estereotipados, cuja presença visa “sugerir” ao consumidor a sua identificação. Neste processo, acaba por “impor” valores, atitudes e estereótipos, nomeadamente, os relacionados com o género.
Neste workshop pretendemos demonstrar a relevância da publicidade e da sua linguagem; a sua dimensão social e cultural, ou seja os efeitos sociais, que inclui uma análise das representações de género na publicidade e dos respetivos estereótipos. Este trabalho incorporará a análise e discussão de casos (campanhas publicitárias).
1. A publicidade como processo persuasivo: a linguagem publicitária; A dimensão social e cultural da publicidade: os efeitos sociais;
2. Análise e discussão de campanhas publicitárias;
3. As representações de género na publicidade: os estereótipos.

Workshop 3 — “Covid-19 e as figuras políticas femininas na televisão”
Formadoras: Maria José Mata (ESCS-IPL e ICNova) e Carla Martins (Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias e ICNova)
Destinatários: Todas/os as/os interessados/as em tornar o jornalismo mais inclusivo, desde jornalistas, técnicos e especialistas em instituições na área da defesa da igualdade de género, estudantes das áreas do Jornalismo e das Ciências da Comunicação.
Resumo: Em Portugal, a luta contra a Covid-19 tem um forte traço feminino, considerando que as mulheres dominam as profissões ligadas à saúde e que duas mulheres se destacaram na gestão diária da crise pandémica, a diretora-geral de Saúde e a ministra da Saúde. Nesta sessão analisa-se como a televisão constrói o perfil político feminino quando estão em causa questões de saúde, a partir de um estudo empírico sobre a cobertura do novo coronavírus nos jornais da noite da RTP1, SIC, TVI e CMTV, entre 18 de março e 31 de maio de 2020. Com base em excertos de peças noticiosas transmitidas por aquelas estações, os auditores serão convidados a desenvolver um exercício coletivo de leitura e interpretação dos textos e das imagens com vista a decifrar os sentidos não manifestos construídos pelo discurso jornalístico sobre o desempenho das mulheres que as protagonizam. Ter-se-ão como referência, para o efeito, instrumentos teóricos das teorias do jornalismo, da análise de discurso e da análise de imagens.

Workshop 4 — “Como a propaganda do Estado Novo entrou nos álbuns de família: a imagem da mulher”
Formadora: Ana Janeiro (artista e fotógrafa, ESCS-IPL)
Destinatários: Todas/os as/os interessados/as em análise de imagem de arquivo focada numa abordagem crítica a criativa do poder da imagem na propaganda do Estado Novo.
Resumo: Este workshop aborda, num caso de estudo, a análise de fotografias de família no contexto histórico do Estado Novo (1933-1974). Os álbuns de família, com centenas de fotografias pertencentes aos meus avós são analisados através de uma abordagem “iconográfica” das fotografias, que se concentra especificamente nas imagens das (minhas) duas avós. A análise dos álbuns fotográficos das duas famílias gerou um método de justaposição entre as duas mulheres, vivendo ambas no contexto de um regime ditatorial, apoiado por uma forte componente de propaganda visual e iconográfica.
Analisa o modo como a propaganda do regime do Estado Novo influenciou as representações da família, das mulheres e o do seu papel na sociedade, através da sua ideologia e estratégia de propaganda política.
Como podem os álbuns de família ser analisados enquanto arquivos? Que histórias podem estas imagens contar, ou revelar, à luz do que atualmente se sabe, sobre o que aconteceu ao longo da fase do Estado Novo em Portugal e nos seus territórios ultramarinos?
Os participantes são convidados a partilhar imagens dos seus arquivos fotográficos de família, (preferencialmente imagens tiradas durante o período do Estado Novo) e, usando a metodologia demonstrada, analisar as imagens escolhidas previamente.


Organização:
• Vítor Almeida (Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género)
• Filipa Subtil (Escola Superior de Comunicação Social, Instituto Politécnico de Lisboa)
• Ana Cristina Vieira (CENJOR – Centro Protocolar de Formação Profissional para Jornalistas)
Apoio:
• Sindicato dos Jornalistas
• Grupo de Trabalho Género e Sexualidades, SOPCOM